domingo, 6 de maio de 2012

Sai Diabo!


Ele saiu da boate meio bêbado.
A noite tinha sido um fiasco. Tomou um bolo do “peguete”, os amigos não apareceram, não tinha ninguém interessante na noite.
Resolveu dar uma caminhada até o ponto de ônibus. Não ia embora de taxi. Queria espairecer.
Foi caminhando até que se deu conta que estava numa área de pegação. Aquilo não foi por acaso. Seus instintos o levaram até ali.
Não tinha ninguém na rua. “Porra, será que nem uma mamada vou conseguir hoje?” Pensou ele já desolado.
Foi então, que pra sua surpresa, virando a rua apareceu um Deus do Ébano.
Ficou desconcertado!
Pensou logo em baixaria, mas se controlou. “ Não se pega bofe assim” pensou ele.
O belo negro foi andando e ele logo atrás. Não sabia o que fazer, só sabia que precisava puxar assunto com ele.
Num certo do ponto da rua, o cara virou olhou para ele e disse:
- Poxa cara, não passa ônibus aqui, não. Queria ir logo pra casa.
Na hora ele ficou desconcertado. Precisava pegar aquele negro. E esse papinho já era velho. Ele sabia bem o que o negão queria, porém não sabia como abordar o assunto. Não agüentou e respondeu sem pensar:
- Nem reparei em ônibus. Estava ali no cantinho mamando um cara que nem me dei conta. Só parei de mamar quando vi você passar.
Pronto... tinha falado a maior besteira da sua vida, mas não tinha como voltar atrás.
O negro para. Olha bem nos olhos dele e do nada coloca a mão no bolso.
Ele quase chora de alegria. Tem certeza que falou a coisa certa e que o negão vai chama-lo pra ir “no cantinho”.
Porém o negro saca do bolso um vidrinho com algo que parece azeite e grita:
SAI DESSE CORPO DIABO! VAI EMBORA DA VIDA DESSE RAPAZ, POMBA GIRA!
Ele não sabe se sai correndo, se se mata de vergonha, se manda ele pegar aquele óleo ungido e usar como KY.
Deu sinal para o primeiro taxi que passou e entrou ainda ouvindo os gritões do Pastor Negão

Homenagem a MUSA Rogéria


"SE" matar


Hoje acordei pensando em “SE” matar!
Não, não tive um surto de ignorância e depressão.
Não quero “ME” matar. Quero realmente “SE” matar.
Não quero essa morte fugaz. Não vou me jogar na linha do trem ou dar um tiro no peito.
Quero matar alguém que não sou, mas está dentro de mim.
Quero acabar com essa pessoa estranha que coabita em meu ser.
Quero por fim nesse sofrimento tão grande, que muitas vezes é maior do que eu.
Pensei em acabar com a vida dessa pessoa que não tem tempo de ligar para os amigos e familiares distantes.
Pensei em aniquilar esse eu que quer mudar o mundo, esse eu que quer salvar a humanidade e nem mesmo consegue viver bem consigo mesmo.
Pensei no que fazer para tirar a vida desse ser e cheguei a seguinte conclusão: Não posso, não quero!
Vou tentar criar uma trégua com “ele”, dar um voto de confiança e acreditar que “ele” pode mudar.
Vou acreditar que “ele” vai passar a ter mais consideração com as pessoas, perdoar com mais facilidade do que criticar e que vai olhar o mundo de uma forma mais amena.
Vou ficar em paz com ele... melhor... serei seu amigo, o levarei para sair, para viajar e terei conversas em silêncio com “ele” e sei que irá me compreender.
Quem sabe assim, hoje ao dormir eu não queira mais “ME” matar.